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Renan, Cunha e Gollum

 | 23/05/2016 |

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Renan Calheiros, como sabemos, é o atual presidente do Senado. Tem 60 anos e é autor de alguns livros, entre eles um de título sugestivo, “Contadores de balelas”. Sua primeira eleição aconteceu em 1978, quando foi eleito Deputado Estadual pelo então MDB. Nessa época, travava uma luta feroz contra o prefeito de Maceió, Fernando Collor. Duas eleições para Deputado Federal mais tarde, filiou-se ao PRN e foi nomeado assessor de Collor, então candidato à presidência. Mas, devido a uma desavença política pelo Governo de Alagoas, deixou o partido e, à época da queda de Collor, pediu o seu impeachment. Em 1994, foi eleito Senador, cargo que ocupa até hoje. Responde, no Supremo, a 12 inquéritos, nove ligados a investigações sobre o esquema de corrupção na PETROBRÁS, um relativo à Operação Zelotes e outros dois que apuram irregularidades no pagamento de pensão a uma filha.

Eduardo Cunha tem 57 anos. Entrou na política graças a Fernando Collor, pois trabalhou durante sua campanha ao lado de P. C. Farias. Assim como Calheiros, era filiado ao PRN. Logo após a eleição, foi nomeado presidente da TELERJ, onde foi acusado de sua primeira irregularidade e teve de deixar o cargo. Trabalhou em outras estatais e, em 2000, teve de ser novamente afastado do cargo, desta vez da Companhia Estadual de Habitação, devido a irregularidades. Graças a Anthony Garotinho, elegeu-se Deputado Federal em 2002. Em 2015, assumiu a presidência da Câmara, de onde acaba de ser afastado pelo Supremo Tribunal Federal. Responde a três inquéritos na Lava-Jato e é réu em uma ação no STF.

Gollum é um personagem de O Hobbit e de O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien. Inicialmente era um bom sujeito, mas, com o tempo, deixou de olhar para o alto: “Sua cabeça e olhos só se dirigiam para baixo”. Foi o começo da sua derrocada. Logo após viu o Um Anel, o mais poderoso de todos, com o seu primo. Matou o parente para obtê-lo. Com a preciosidade em mãos, ganhou o poder de se tornar invisível. Porém, tornou-se impopular com a família e foi expulso de casa e se escondeu em um lugar ermo. Lá ficou até perder o anel para Bilbo.

O que une esses três personagens é a sede de poder, que acaba por corromper um homem (ou hobbit). Em O senhor dos anéis, o fim de Gollum mostra o que acontece com todos os que buscam o poder para proveito próprio. Tolkien afirma que Gollum passou a odiar a luz e a escuridão e, curiosamente, passou a detestar acima de tudo o anel.

O simples hobbit Frodo – talvez como nós – não conseguia entender essa sede de poder e como Gollum passou a detestar o que mais amava. O sábio Gandalf explicou que ele nutria os mesmos sentimentos que por si próprio e por isso não podia deixar o anel, assim como nós não podemos nos libertar de nós mesmos. Dominado por esse poder maléfico, “não tinha mais vontade própria”.

Na conversa com o mago, Frodo pergunta por que não mataram Gollum quando tiveram a oportunidade. Gandalf diz que quem não deu a vida não deve tirá-la e acrescenta que não sabemos os percursos de uma vida. Portanto, seria precipitado achá-la digna de um fim. O que fazer, então, com Gollum? Tirar o seu anel de poder. Foi o que, de certa maneira, Frodo fez. O que fazer com Renan e Cunha? Destituí-los do poder e, se as acusações provarem-se verdadeiras, prendê-los. O STF fez a sua parte com Cunha. Falta Renan.

O fim de Gollum é triste: tornou-se um solitário que busca voltar a ter o poder de antes. Jurava ter sido injustiçado e que tinha bons amigos que iriam resgatar a sua dignidade. Renan e Cunha poderiam ser mais honrados: usar o anel uma última vez e desaparecerem para sempre da vida pública. Já fizeram mal o bastante.

Eduardo Gama é mestre em Literatura pela USP, jornalista, publicitário e membro do IFE – Campinas.

Artigo publicado no jornal Correio Popular, edição 19/5/2016, Página A-2, Opinião.

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Microcefalia, aborto e vida

 | 29/04/2016 |

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Microcephaly-comparison-500px - Artigo Gama Fev 2016

Imagem: um bebê com microcefalia à esquerda, comparado a um bebê normal, à direita. Imagem em Domínio Público.

 

Hoje já se sabe que o feto é uma vida. Não precisa ser religioso, nem reacionário ou qualquer outro rótulo que se queira impor às pessoas que defendem o ser que está provisoriamente alojado no ventre materno para constatar esse fato. Digite “feto com três meses de gestão” no Google e verá: os órgãos vitais já estão todos formados.

Essas considerações iniciais devem-se ao fato, como é sabido, de que o aborto voltou à pauta de grupos que o defendem por causa da epidemia de zika vírus que estamos enfrentando. Pouco se conhece ainda da real gravidade da contaminação por esse vírus e as consequências para o feto. Mas para quem não pensa nele, isso tem pouca importância. O que conta é aproveitar uma situação de medo para oferecer uma saída ao sofrimento. Seu filho irá nascer com deficiência? Aborte-o, assim, não será preciso enfrentar as dificuldades que certamente virão.

Claro que ninguém deve julgar o outro, mas, ao menos, falo com certa vivência. Como já tive oportunidade de escrever nesse mesmo jornal, tenho um filho com autismo. Conheço muitas pessoas que têm filhos com síndrome de down, e outros transtornos do desenvolvimento. Portanto, de alguma forma, entendo a dor que essas famílias estão passando.

O que a ONU e algumas pessoas no Brasil estão fazendo se chama oportunismo. Afinal, não é de hoje que defendem o aborto livre e irrestrito. Não importa que 70% dos brasileiros sejam contra a prática. Ainda assim, defendem que a mulher rica pode abortar, enquanto a pobre não. Basta ver os dados para perceber que a maioria esmagadora da população do nosso país não quer realizar tal ato. Nas classes C e D, a porcentagem de contrários ao aborto sobe para 75%!

O que uma família que é surpreendida por um caso de doença ou transtorno do filho quer é ajuda! Como lidar com a criança? Como desenvolvê-la da melhor forma? Ainda não vi nenhuma ação governamental nesse sentido, seja federal, estadual ou municipal.

Outro fator que chamou a atenção foi o descaso de alguns pais, que chegaram a abandonar suas esposas pelo fato de o bebê ter microcefalia. Não é de hoje, infelizmente, que a irresponsabilidade masculina aumenta o sofrimento de mães, especialmente o das jovens. Muitas vezes, desamparadas, pensam que o aborto é a única saída.

Alguns afirmam: se você é contra a prática, que não aborte. A vida seria tão fácil se uma frase simplista e ilógica resolvesse tudo! Mas não é: o fato de eu ser contra o assassinato é o suficiente para que haja paz na sociedade? O fato de eu não matar, infelizmente, não significa que outros deixarão de o fazer. E é preciso lutar para que pessoas não sejam brutalmente mortas. Recentemente, o pai de um amigo, um senhor de 80 anos, foi covardemente assassinado, em sua residência, por bandidos. O que a minha decisão de não matar contribuiu para evitar essa tragédia? Portanto, quando a vida está em jogo, não bastam frases feitas.

Claro que há uma distância enorme entre ser contra o aborto e a condenação da mulher que o praticou. Alguns pensam que essa atitude é mera hipocrisia. Não é verdade. Diversas entrevistas e documentários mostraram depoimentos de mulheres que se não tivessem sido deixadas sozinhas, não teriam tomado tal decisão. Por esse motivo, parece-me hipócrita dizer que promove a prática para defender a gestante, mas não oferece ajuda para que ela possa levar adiante a gestação.

O zika vírus, segundo as informações de especialistas, pode ser detectado no primeiro trimestre de gravidez e até mesmo no último. Com treze semanas, os dedos do bebê já estão bem diferenciados e o bebê mexe a cabeça com mais facilidade devido ao desenvolvimento do pescoço. Faz xixi. Seu sistema nervoso central está completo. É nessa criança que pensam os que são favoráveis à vida.

Eduardo Gama é Mestre em Literatura pela USP, Jornalista, Publicitário e membro do IFE-Campinas.

Artigo publicado originalmente no jornal Correio Popular, edição de 27/02/2016, Página A2 – Opinião.

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Nem Wyllys, nem Bolsonaro

 | 30/11/2015 |

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Acordamos radicais. Essa parece ser a sensação de quem acompanha o desenrolar dos acontecimentos nestes últimos anos. Picham catedrais com palavras obscenas, fazem culto da morte como um direito humano. Por outro lado, cada vez mais “cidadãos de bem” defendem que bandido bom é bandido morto. Exaltam o presídio de Pedrinhas como a higienização necessária à sociedade.

Acordamos radicais. O que aconteceu? Lembro-me que, em 2008, o tema de redação da Fuvest era “Participação política: indispensável ou superada?” O objetivo era que os jovens, então alheios aos rumos do País, refletissem sobre a importância da questão. Menos de uma década depois, quase todo adolescente possui uma opinião radical sobre diversos assuntos. A politização da sociedade é um bem, contudo, desconfio que esse radicalismo trará um fruto amargo.

Mas antes das consequências, é preciso identificar a causa. Uma delas é uma crescente superficialidade. Em uma recente entrevista, Umberto Eco declarou que as redes sociais deram voz “a uma legião de imbecis”. Antes, considerou, eles se manifestavam após umas cervejas em uma mesa de bar, sem prejudicar a coletividade com suas asneiras. Hoje ganham as manchetes de jornais.

Chamá-los de imbecis, embora proceda de uma cólera justa, é um erro. A terminologia correta pode ser mais esclarecedora. As novas tecnologias mostram que há pessoas preconceituosas, inescrupulosas. Antes era possível fingir que eles não existiam. Hoje publicam manuais de como estuprar estudantes.

Outro fator, além dos “imbecis de Eco” é a superficialidade de opinião. Com as redes sociais, todos se julgam especialistas sobre os mais variados assuntos. O Enem é ideológico? Os pandas devem ser salvos? Drogas? Aborto? Intolerância? Todos têm uma opinião (mal) formada. Sem falar na política, palco de delírios de todos os lados.

Essas explosões de raiva contra pessoas ou grupos podem redundar em ódio, se é que já não o vivenciamos. O ódio busca aniquilar o outro, negar-lhe a existência. O exemplo mais extremo que temos hoje é o Estado Islâmico. No Brasil, podemos citar esses “coletivos” de feministas radicais. O que elas cantam? “Sou violenta porque sofri violência”. Se, de fato, essas jovens foram vítimas, sua conduta poderia até ser direcionada contra quem causou o mal. Mas por que se dirige contra toda a sociedade? Por que me odeiam pelo fato de eu ser homem? Que mal eu fiz a elas?

De fato, ser moderado parece ser uma atitude covarde ou equivocada nos dias correntes. Se o PT é corrupto, os outros não o são? As empreiteiras não doaram dinheiro aos outros partidos? Sabemos que sim. Com que intenção? Eu quase nada sei, mas desconfio de muita coisa, já disse Riobaldo, na obra magistral de Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas. O que afirmo não me torna nem um pouco menos antipetista do que já sou, mas acho que me torna mais lúcido.

Por isso, não sigo nenhum J, seja de sobrenome Wyllys ou Bolsonaro. Considero que o momento atual é de indignação e de revolta. Mas sei que o grito superficial cai logo no vazio. Sei que o radicalismo mais violento tem de dormir sobre os escombros da casa que derrubou. O problema é que nós todos moramos sob esse teto. Uma terceira via se faz necessária.

Eduardo Gama é mestre em Literatura pela USP, jornalista, publicitário e membro do IFE-Campinas.

Artigo publicado originalmente no jornal Correio Popular, edição de 18/11/2015, Página A2 – Opinião.

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Leandro Karnal e o autismo

 | 15/10/2015 |

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No dia dois de outubro, o professor Leandro Karnal ministrou uma palestra no Café Filosófico, na CPFL Cultura. Muito concorrida, como de costume. Fui testemunha porque, como moro perto do local, passava por lá de carro e pude ver a fila que se formou para escutá-lo.
Ao que tudo indica, a palestra foi brilhante. Contudo, ao fim da apresentação, uma senhora fez uma pergunta ao professor: por que insistia em usar o termo autismo como metáfora de pessoas isoladas, que se distanciam dos outros? A resposta de Karnal não poderia ter sido mais equivocada. Lamentou o politicamente correto reinante na sociedade e o patrulhamento de palavras que ocorre na sociedade de hoje. E ainda publicou o vídeo na internet.
Breves parênteses: um dia antes, ocorria um novo massacre nos Estados Unidos. Um homem de 30 anos, Christ Mintz, teve um gesto heroico: acionou o alarme, avisou os alunos para fugirem e voltou ao lugar onde estava o atirador para fazer algo. Antes de levar o primeiro tiro, pediu para não ser alvejado, pois naquele dia seu filho completava seis anos. O filho é autista. Mintz levou sete tiros, mas passa bem.
Fiz esses breves parênteses, porque sei que os pais e as mães de crianças nessa condição fariam o mesmo. O primeiro pensamento que nos vem à mente são sempre nossos filhos, que dependem tanto de nós. Certo, todo filho precisa de seus pais, mas o que dizer dessas frágeis criaturas?
Nós, pais de crianças com autismo, não queremos policiar as expressões de ninguém, não queremos impedir qualquer pessoa de falar sobre autismo. Pelo contrário: quanto mais gente, ainda mais da capacidade intelectual de Karnal, tocar no assunto, melhor. Mas do modo correto, que impeça o preconceito. Sei que a intenção do professor não foi má, porém, a pergunta da senhora também não foi.
Sabemos que poucas pessoas sabem como lidar com os nossos filhos. Não é fácil. Quando a criança busca um canto para se refugiar, pensa-se que ela não gosta dos outros, que prefere mexer as suas mãozinhas ou fazer sons estranhos. Mas, hoje já se sabe que os autistas têm interesse pelos outros. O problema é que eles não sabem como interagir com as pessoas, nem elas com eles. Não é um mundo à parte, mas diferente.
Um colega contou-me que escutou a conversa entre dois alunos de treze anos. Um disse: “Fui ao Mac Donalds outro dia e o atendente era down. Sabe o que eu fiz? Pedi um Mac down”. É essa a sociedade que queremos? Meu colega corrigiu com veemência o aluno e explicou que aquela pessoa era uma vitoriosa, assim como sua família, pois lutaram e lutam para que o portador da síndrome tenha uma vida digna.
Portanto, não se trata de politicamente correto, de patrulhamento. Trata-se de vidas, de pessoas que amam seus filhos e querem proporcionar-lhes, dentro de todas as suas limitações, o melhor possível.
Acabei de ler a edição espanhola do livro de Josef Schovanec, “Je suis à l’Est”. Schovanec, além de autista, é filósofo, escritor e militante pelos direitos dos autistas. Na obra, descreve que, quando era criança, tinha medo dos coleguinhas: “No plano social, estava sozinho. Tinha medo dos outros; infelizmente, por uma boa razão: recebia pancadas diariamente.” Em outro trecho: “As crianças sabem logo quem será popular e quem será rechaçado. A sociedade dos adultos é similar, mas sua hipocrisia mais refinada: em lugar de bater diretamente, utilizam expressões de exclusão, certas atitudes, para atingir um objetivo mais ou menos análogo.”
Hoje, Schovanec tem 30 anos e ainda se lembra dessas feridas. Eu desejo uma sociedade mais humana. Desejo que meu filho não passe por isso.
Aliás, sr. Karnal, a senhora que fez a pergunta é autista.

Eduardo Gama é mestre em Literatura pela USP, jornalista, publicitário e membro do IFE-Campinas.

Artigo publicado no jornal Correio Popular, edição 09/10/2015, Página A-2,Opinião.

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Corrupção, crime e castigo

 | 14/09/2015 |

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“Em primeiro lugar, vem a questão da confiança. Lá em casa, sempre digo para as minhas filhas que papai perdoa tudo, menos mentira”. Esse é um pequeno trecho da entrevista concedida ao jornal O Estado de São Paulo, em 2010, por Marcelo Odebrecht, preso recentemente na Operação Lava jato. O título é “Bota quem tem culpa na cadeia”. Em outra declaração, desta vez à Folha de São Paulo, o empresário novamente citou os filhos para se defender de ataques: “Não faria nenhum pedido que não pudesse ser feito de maneira transparente. Que mais tarde pudesse me deixar mal com meus filhos.” Odebrecht passou o dia dos pais preso, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Após ler essas declarações, lembrei-me da obra magistral de Dostoievski, Crime e Castigo. Há uma cena em que o personagem principal, Raskolnikov, conta à Sônia os motivos do seu crime: “Por acaso eu matei a velhota? Foi a mim mesmo que eu matei. O diabo matou a velha”. Penso que o mesmo se aplica àqueles corruptos envolvidos em falcatruas: roubaram o Brasil? Não, roubaram a si mesmos.

Sei que muitos podem considerar esse pensamento equivocado e retrucar que “esses homens” não têm consciência moral, como se já tivessem roubado a bolsa da enfermeira logo após o parto. Mas acredito que um homem se torna bom ou mau com o tempo e suas escolhas. Claro que considero a capacidade humana de se enganar. Os corruptos podem pensar que a culpa não é deles, que é assim que as coisas funcionam, que o mundo é podre, etc. Esses argumentos têm certa razão, por isso o seu poder de iludir. Mas é impossível dizer isso a uma criança, ainda mais se for o próprio filho. Ele só entende a verdade, que seria: “Papai está cadeia porque fez algo muito errado”.

Não seria bom apenas para o país que os empreiteiros envolvidos nos recentes escândalos parassem de mentir e assumissem a culpa pelos seus atos, como se fossem Raskolnikovs de hoje. Platão, no livro Górgias, afirmou que o melhor para quem comete um delito é ser punido. Para o filósofo, feliz é quem não possui vícios e “em segundo lugar, vem a pessoa que ficou livre do vício.”

Além da felicidade, Platão tinha em mente a vida eterna, assim como a personagem Sônia, de Crime e castigo. Por isso a necessidade de reparação. O autor de Górgias conta nessa obra uma fábula, na qual diz acreditar, pois a tinha como “pura verdade”: “No tempo de Cronos, havia uma lei, a saber: que o homem que houvesse passado a vida com justiça e santidade, depois de morto iria para a Ilha dos Bem-aventurados. Quem tivesse vivido impiamente e sem justiça, iria para o cárcere da punição e da pena, a que dão o nome de tártaro.”

No dia primeiro de setembro, Marcelo Odebrecht, em depoimento à CPI da Petrobras, disse ser moralmente contra a delação premiada. Afirmou não ser dedo-duro. Além de apelar à moral, novamente – e já é a terceira entrevista dele que, acuado, cita a família – faz menção às filhas. Considerou que, quando havia uma briga em sua casa, talvez brigasse mais com que dedurou do que com quem provocou o conflito.

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Não duvido de que o empreiteiro ame as filhas. As citações recorrentes a elas é uma prova. O que chama a atenção é não perceber o quanto seria importante, em primeiro lugar para ele, a verdade. Em segundo lugar, para as suas tão amadas filhas. Os fatos são sujos? Por que não limpar-se através de uma confissão pública que iria também ser extremamente útil para o país? Sei.
Há muito mais coisa nesse mundo corrupto além do que sonha a minha vã inocência.

Mesmo que os acusados jamais confessem suas culpas, é importante para todos que os culpados sejam punidos. O culto à impunidade já fez muitas vítimas. E as primeiras são os próprios criminosos.

Eduardo Gama é mestre em Literatura pela USP, jornalista, publicitário e membro do IFE-Campinas.

Artigo publicado no jornal Correio Popular, edição 14/9/2015, Página A-2.