Todos os posts de Letícia Maria Barbano

A violência contra a mulher

 | 08/12/2015 |

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Ilustração: Granville (Jean-Ignace-Isidore Gérard) – H. Fournier Éditeur, Paris, 1845. Fonte: Wikimedia Commons.

 

Ocasionando acaloradas discussões entre diversos grupos, o tema da redação do Enem 2015, “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”, provocou opiniões binárias do que parecia se dividir entre “direita” e “esquerda”. Mas, afinal, como sugeriram alguns, esse tema é doutrinador? É um tema pertinente?

Temas de redações dificilmente são doutrinadores. O que é doutrinado ideologicamente ou não é a opinião individual dos alunos sobre o assunto. A violência contra a mulher existe, no Brasil e no mundo, e a razão disso é a crise de valores morais que passa nossa sociedade. Em contrapartida, a frase da feminista de segunda onda, Simone de Beauvoir, em uma questão no primeiro dia da prova, convidava os vestibulandos a uma reflexão com viés feminista sobre o tópico, cuja linha coloca a desigualdade de gênero como principal origem do problema.

Desde a constituição da burguesia, no início da modernidade, nos solidificamos como uma cultura materialista, cujo valor ao capital supera o valor às virtudes e à ética. Isto foi transposto aos relacionamentos humanos, e passamos, progressivamente, à tendência de objetificar as pessoas, como se elas fossem parte dos bens materiais que temos e adquirimos.

Dessa linha de perda de bases morais para bases materiais, advém a transformação do amor conjugal em sentimentalismo: o “amor” torna-se simples emoção volúvel e efêmera. Um casal que tem como fundamento esse tipo de apego, sem analisar certas condições racionais para a união, tenderá a não ter como valor cotidiano a doação mútua no matrimônio, mas o uso dos próprios vícios para destruir a si e ao outro, abrindo caminho para a violência doméstica.

Todavia, sem considerar essas e outras questões de diversas esferas tão necessárias e pertinentes para se entender a problemática, surge o feminismo com a visão unilateral de que homens são sempre potencialmente agressores e mulheres são sempre potencialmente vítimas. Tal ideologia, travestida de busca por igualdade de gênero, ignora as diferenças biológicas e psicológicas de homens e mulheres e, ao invés de utilizar-se dessas para potencializar a vida em sociedade, promove uma constante luta de classes entre ambos. Na realidade, o feminismo, especialmente a partir de sua segunda onda, reforça a visão materialista, e inverte o comportamento que critica como machista, objetificando os homens ao enxergá-los como possíveis agressores.

A resposta feminista para a questão da violência contra mulher toma como premissa o ódio entre os sexos, algo oposto à premissa ética de que na relação entre os indivíduos de uma sociedade a base deve ser o respeito e o amor, este último entendido no sentido de doação. Nos diversos séculos ao longo da história, as culturas que conheceram um alto padrão de moralidade, como a judaico-cristã, foram as com menores índices de violência contra mulher, e onde a figura feminina mais encontrou valorização. Como podemos retornar a esse respeito às mulheres se nossa cultura se desmoraliza cotidianamente?

A violência contra a mulher existe e persiste? Sim. Mas o feminismo apresenta uma resposta errada para um problema real. Uma solução correta deve considerar aspectos morais da sociedade, de modo a permitir que os indivíduos sigam valores éticos de caridade, fidelidade, amor ao próximo, bondade, honestidade, entre outros. O que lhe faz ser uma pessoa boa? A polícia? As leis? Não, certamente você me responderá que são os seus valores. É, pois, a restauração de moral e de virtudes que reformula uma sociedade e que pode diminuir a violência, inclusive a contra a mulher.

■ ■ Letícia Maria Barbano escreve para o blog Modéstia e Pudor (www.modestiaepudor.com) e coordena o IFE São Carlos.

Artigo publicado originalmente no jornal Correio Popular, edição de 22 de Novembro de 2015, Página A2 – Opinião.

* Nota dos Editores IFE: A autora possui um artigo científico sobre machismo, patriarcalismo etc. que desmistifica muito do que tem sido dito nas universidades, na mídia e em outros canais, artigo este que recomendamos a leitura:

MACHISMO, PATRIARCALISMO, MORAL E A DISSOLUÇÃO DOS PAPÉIS OCUPACIONAIS

http://www.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/refacs/article/view/1097

Existe e persiste a violência contra a mulher?

 | 23/11/2015 |

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Ocasionando acaloradas discussões entre diversos grupos, o tema da redação do ENEM 2015, “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”, provocou opiniões binárias do que parecia se dividir entre “direita” e “esquerda”. Mas, afinal, como sugeriram alguns, este tema é doutrinador? É um tema pertinente?

Temas de redações dificilmente são doutrinadores. O que é doutrinado ideologicamente ou não é a opinião individual dos alunos sobre o assunto. A violência contra a mulher existe, no Brasil e no mundo, e a razão disso é a crise de valores morais que passa nossa sociedade. Em contrapartida, a frase da feminista de segunda onda, Simone de Beauvoir, em uma questão no primeiro dia da prova, convidava os vestibulandos a uma reflexão com viés feminista sobre o tópico, cuja linha coloca a desigualdade de gênero como principal origem do problema.

Desde a constituição da burguesia, no início da modernidade, nos solidificamos como uma cultura materialista, cujo valor ao capital supera o valor às virtudes e à ética. Isto foi transposto aos relacionamentos humanos, e passamos, progressivamente, à tendência de objetificar as pessoas, como se elas fossem parte dos bens materiais que temos e adquirimos.

Desta linha de perda de bases morais para bases materiais, advém a transformação do amor conjugal em sentimentalismo: o “amor” torna-se simples emoção volúvel e efêmera. Um casal que tem como fundamento este tipo de apego, sem analisar certas condições racionais para a união, tenderá a não ter como valor cotidiano a doação mutua no matrimônio, mas o uso dos próprios vícios para destruir a si e ao outro, abrindo caminho para a violência doméstica.

Todavia, sem considerar estas e outras questões de diversas esferas tão necessárias e pertinentes para se entender a problemática, surge o feminismo com a visão unilateral de que homens são sempre potencialmente agressores e mulheres são sempre potencialmente vítimas.  Tal ideologia, travestida de busca por igualdade de gênero, ignora as diferenças biológicas e psicológicas de homens e mulheres e, ao invés de utilizar-se destas para potencializar a vida em sociedade, promove uma constante luta de classes entre ambos. Na realidade, o feminismo, especialmente a partir de sua segunda onda, reforça a visão materialista, e inverte o comportamento que critica como machista, objetificando os homens ao enxergá-los como possíveis agressores.

A resposta feminista para a questão da violência contra mulher toma como premissa o ódio entre os sexos, algo oposto à premissa ética de que na relação entre os indivíduos de uma sociedade a base deve ser o respeito e o amor, este último entendido no sentido de doação. Nos diversos séculos ao longo da história, as culturas que conheceram um alto padrão de moralidade, como a judaico-cristã, foram as com menores índices de violência contra mulher, e onde a figura feminina mais encontrou valorização. Como podemos retornar a este respeito às mulheres se nossa cultura se desmoraliza cotidianamente?

A violência contra a mulher existe e persiste? Sim. Mas o feminismo apresenta uma resposta errada para um problema real. Uma solução correta deve considerar aspectos morais da sociedade, de modo a permitir que os indivíduos sigam valores éticos de caridade, fidelidade, amor ao próximo, bondade, honestidade, entre outros. O que lhe faz ser uma pessoa boa? A polícia? As leis? Não, certamente você me responderá que são os seus valores. É, pois, a restauração de moral e de virtudes que reformula uma sociedade e que pode diminuir a violência, inclusive a contra a mulher.

Letícia Maria Barbano escreve para o blog “Modéstia e Pudor” (www.modestiaepudor.com) e coordena o IFE São Carlos.

Artigo publicado originalmente no jornal Correio Popular, Página A2 – Opinião, em 22 de novembro de 2015.

Sexualidade mal compreendida

 | 06/10/2015 |

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Sempre que pronunciamos a palavra “sexualidade” um certo desconforto reina no ambiente. Felizmente, nosso senso de pudor nos alerta que este assunto deveria ser tratado de uma maneira discreta, confidente e delicada, sem ser afetado por discursos curiosos em locais impróprios e idades prematuras.

Todavia, desde os anos sessenta e o estouro da revolução sexual, certos grupos políticos e certas linhas de pesquisa têm defendido uma abordagem liberal da sexualidade humana, defendendo que o ser humano, dono de seu próprio corpo, pode fazer dele o que bem entender, inclusive para o próprio prazer.

Deste tipo de pensamento advém a defesa e uso da pornografia, prostituição, e – o mais preocupante atualmente – a sexualização precoce de crianças.

Algumas linhas de pesquisa – de embasamentos duvidosos – indicam que é bom e saudável cada pessoa, especialmente a criança, buscar o prazer próprio como modo de autoconhecimento.

Todavia, estudos recentes da Neurologia indicam que a sexualidade desordenada, especialmente influenciada pela pornografia e masturbação, levam o cérebro a liberar grandes doses de dopamina, um neurotransmissor que nos dá sensações de prazer e satisfação. Quando a descarga deste componente começa a ser constante, o cérebro, em um tipo de mecanismo de proteção, começa a bloquear a passagem desta substância, o que resulta em um número cada vez menor da sensação de prazer. O bloqueio de sensações agradáveis se estende para outras situações da vida que gerariam bem estar – estar com os amigos, tomar sorvete, ir ao cinema, estar em família.

O resultado são pessoas – e, infelizmente, muitas vezes crianças e adolescentes – depressivos e insatisfeitos com suas vidas, pois perderam a capacidade de encontrar sentido e sentir prazer nas pequenas situações cotidianas.

Outros estudos mostram que quando o cérebro se acostuma com a pornografia ou o prazer solitário, tende a passar a enxergar as outras pessoas apenas por um aspecto sexual. Este tipo de objetificação de pessoas traz aos relacionamentos humanos a característica do utilitarismo, egocentrismo e narcisismo, problemas que levam a maioria dos namoros e casamentos ao fracasso.

A sexualidade humana foi criada para ser ordenada buscando o “bem no outro”. É sobre isto que argumenta o psiquiatra austríaco Viktor Frankl, quando afirma que “quando é negada a autotranscendência da existência, a própria existência é desfigurada. Ela é materializada. O ser fica reduzido a mera coisa. O ser humano é despersonalizado. E, o que é mais importante, o sujeito é transformado em objeto”.

É no plano do amor, algo muito maior que sentimentalismos ou genitalismos, que o ser humano atinge seu ápice como humano. O oposto do amor não é o ódio, mas o “usar” a outra pessoa. Se não ensinamos às crianças estes aspectos da sexualidade e dos relacionamentos, como podemos almejar um mundo mais humano e menos utilitarista?

■■ Letícia Maria Barbano é estudante de Terapia Ocupacional, participa de grupos de pesquisa sobre o Desenvolvimento Humano, escreve para o blog “Modéstia&Pudor” (www.modestiaepudor.com) e coordena o IFE São Carlos.

Artigo publicado no jornal Correio Popular, Página A2 – Opinião, em 05 de Outubro de 2015.

O que há de errado com o mundo?

 | 24/08/2015 |

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É quase corriqueiro ouvir algum bom senhor conservador comentar com um pouco de desânimo: “Hoje em dia os valores estão todos mudados, mesmo!”. Que valores? Que mudanças?

Pode parecer clichê de gente mais velha pensar que o modo de vida de antigamente era melhor. Mas observe a sua vida e a das pessoas nas diversas esferas que compõem a sociedade – desde a cultura até a política e economia – e note como, de maneira geral, os sujeitos parecem agir de um modo muito individualista, mesquinho, hipócrita e imoral.
Condena-se o maltrato aos animais, mas apoia-se o aborto. Condena-se as famílias numerosas, mas apoia-se o sexo livre. Condena-se a corrupção dos políticos, mas apóia-se levar para casa algo da fábrica que se trabalha.

Poderíamos tentar buscar onde que a sociedade começou a decair tanto em valores e conduta. Encontraríamos que as piores condutas do ser humano e as mais chocantes atrocidades do mundo se passaram em épocas de relativismo e ausência de uma moral cristã. Os exemplos estão contidos desde nos holocaustos humanos das civilizações antigas, passando pela desumanização social dos pagãos pré-Idade Média até chegarmos ao famigerado comportamento burguês e revolucionário da Renascença.

Em todos os lugares em que perdeu-se o referencial do certo e do errado, o certo foi transformado em errado e passou-se a viver vícios como virtudes. Os pequenos vícios – como atrasos, esquecimento de pedido de permissões, falta de atenção, etc – são elevados ao patamar de “grandes coisas erradas feitas pelas pessoas”, enquanto que grandes vícios – como orgulho, inveja, falta de caridade, sexo fora do matrimônio, etc – são transformados em atitudes normais e até “intrínsecas” ao ser humano.

Não é que antigamente era melhor (na verdade estamos nos relativizando há séculos). É que hoje os erros estão mais públicos e mais evidentes. Certa vez, um jornal pediu a alguns escritores para responder à pergunta: “O que há de errado com o mundo?”. Chesterton enviou a resposta mais sucinta: “Prezados Senhores: Eu. Atenciosamente, G.K. Chesterton”.

Letícia Maria Barbano escreve no blog Modéstia&Pudor (www.modestiaepudor.com) e é coordenadora do IFE São Carlos.

Originalmente publicado em 22 de Agosto de 2015 no “Caderno C” do jornal Correio Popular de Campinas.