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Jordi Llovet: “Adiós a la Universidad. El Eclipse de las Humanidades” (por Pablo González Blasco)

 | 17/12/2015 |

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Jordi Llovet: “Adiós a la Universidad. El Eclipse de las Humanidades”.  Galaxia Gutenberg/Círculo de Lectores. Barcelona (2011). 408 págs.

Aios a la universidadO sugestivo título desta obra, fez-me pensar que seria um ensaio em tema que muito me atrai. Comprei-o, e o deixei repousar algum tempo na prateleira, hábito que sempre sigo para não ir com muita sede ao pote. Os livros também precisam de repouso, como o bom vinho, antes de estabelecer um diálogo com eles, que isso é –e não outra coisa- a boa leitura…

Recupero o livro da estante-adega, e me encontro com um livro de memórias, sobre o qual o autor alinhava suas considerações humanistas. O adeus à universidade não é apenas uma figura de linguagem, mas a retirada do próprio autor da academia, aproveitando um programa de aposentadoria implementado na instituição universitária onde ensinava. O eclipse das humanidades –por fazer uma exegese completa do título- é a constatação do autor, na sua trajetória docente,  do declínio da formação humanística na universidade, e as consequências dessa postura. Uma formação que sucumbe ao utilitarismo do mercado vigente, que dita as normas educacionais, e que bem resume Llovet citando  Bertrand Russell: “Um dos defeitos de educação superior moderna é que se converteu num treino para adquirir habilidades  e cada vez se preocupa menos de abrir a mente e o coração dos estudantes”.

Descubro que o autor escreve o original em catalão, e o exemplar que tenho entre mãos é, por tanto, uma tradução. Llovet é catalão até o último fio de cabelo, ama a cultura e a língua da sua terra, mas é tremendamente crítico com os fundamentalistas catalães que tentam impor o seu próprio idioma  a qualquer custo, beirando o ridículo. Surge aqui uma lembrança pessoal: há alguns meses passei por Barcelona e comprovei como editoras catalãs, cujo objetivo é promover a língua local, traduzem a esse idioma, Dostoievski, Steinbeck , Victor Hugo –o que me parece muito bem- mas também autores que conquistaram o Prêmio Cervantes, maior reconhecimento no domínio do Castelhano…..o que me causou tremenda perplexidade. Talvez por isso Llovet escreve em catalão: para ter certeza de que o seu público alvo não colocará obstáculos e acabará lendo este mistura de legado e reflexão. Quer dizer, escreve, em primeiro lugar,  para os catalães, principais destinatários da sua crítica iconoclasta contra o formalismo acadêmico.

O capítulo que descreve as peripécias necessárias para completar um doutorado, é de um ironia finíssima –dei risada sozinho- e devastador: detona os processos formais para conseguir esse grau acadêmico, a solidão do candidato, a  omissão dos orientadores, o aluno que trabalha por conta, gasta dinheiro, e ninguém o orienta (ou quando o faz é para pesquisar algo que o orientador tem interesse, mas também lhe da preguiça fazer). Enfim, não deixa títere com cabeça…

Nesse mesmo capítulo relata suas viagens pela Europa, em busca de material para a sua pesquisa. Alemanha, França, a República Checa –memorável o encontro com  a sobrinha de Kafka-, onde junta lembranças e considerações. Fez me sorrir a narrativa onde no quarto em que viveu Holderlin, sente um desejo tremendo de recolhimento, mas é impedido “porque os  visitantes estavam providos de engenhocas audiovisuais, como se os homens não tivéssemos memória e somente as imagens fotográficas ou filmadas pudessem conservá-la.”. Se isto foi em 1978,  podemos imaginar hoje, onde as pessoas fotografam compulsivamente locais e a elas mesmas –o self sedutor!- sem dar tempo para viver os momentos, imagens vazias de qualquer vivência……

Muito sugestivo é o capítulo que dedica às humanidades perante as novas tecnologias.  “Quando alguém percebe que não há sinal no celular, sofre como um náufrago que não consegue que seus gritos cheguem até os que pilotam o bote salva-vidas. Uma absoluta sensação de solidão e impotência”. Aborda-se o desafio que a técnica impõe em vistas do imediatismo que proporciona. Temos rapidez, comunicação global, mas falta conteúdo elaborado. A ditadura da rapidez elimina o tempo que sempre foi necessário para cozinhar as ideias, impondo uma cultura em sintonia com o fast-food. O estudante senta na frente de um computador, e pensa que lhe é proporcionada uma facilitação em todos os níveis, incluído aquele processo que sempre foi considerado árduo: o do aprendizado.  Esquece-se que educar provem de ex-ducere, tirar de dentro; extrair e não apenas colocar, e muito menos inserir programas e aplicativos.  Por isso eu vou digitando todas estas linhas: para ir pensando enquanto escrevo, escolhendo as palavras, ordenando as ideias, ao invés de correr o scanner pelas páginas e coloca-las sem nenhuma conexão, nem temperadas com a minha própria reflexão.

Llovet levanta a bandeira das humanidades e adverte do perigo da educação utilitarista: “Os jovens não possuem formação alguma, nem sentem a necessidade de adquiri-la, de modo que cada vez será mais difícil que um universitário consiga situar num contexto histórico os modos de ver o mundo. A falta completa de referências e a falta de familiaridade com o tema, fará com que tudo aquilo que não faz parte da sua experiência vital –do que vivem, e sentem- nunca venha se converter em categorias epistemológica, em modos de interpretar e ver o mundo. Somente captarão sua experiência quotidiana. É a tirania do momento, que nega o curso e a densidade da historia. Uma caipirice  não do espaço –da terrinha- mas do tempo, onde parece que o mundo é propriedade apenas dos vivos, sem saber que para a Historia não há mortos”.

Mostra-se muito crítico em relação á reforma universitária europeia, o chamado plano Bolonha, de integração europeia, pois os estudantes não foram formados num ambiente de critica e diálogo no ensino médio –muito menos em dominar línguas como para mover-se de um lado a outro de Europa, e ninguém fala latim hoje como os Humanistas do século XVI. Os estudantes querem soluções e eficácia, esse é o ensino médio. Bolonha não vai funcionar porque o estudante não tem motor próprio, não se lhe ensinou: a questão, como sempre, é dos professores, não culpa do estudante. São os gestores universitários os que destroem a enorme carga de entusiasmo que um jovem tem nessa fase da vida; gestores que transformam a universidade num centro de treinamento de habilidades e distribuidora de títulos.

Percebe-se ao longo de toda a obra uma crítica contumaz ao utilitarismo que relega as Humanidades a um plano de diletantismo. Invoca, novamente, Holderlin quando criticava os alemães do seu tempo: “Entre os alemães encontrarás artesãos, mas não homens; pensadores, mas não homens; sacerdotes, mas não homens; senhores e criados, jovens e adultos, mas nenhum homem”. Se isso acontecia em tempos do poeta que exclamava “para que poetas em tempos de miséria?”, podemos facilmente concluir perante o panorama de hoje, e num universo que carece da seriedade do povo germânico…..Uma advertência contra os que prestam culto à utilidade e não à verdade. Não se pode vincular as humanidades ao mercado laboral, aos dividendos que podem render a curto prazo, ao que é útil no sentido mensurável da palavra.

Llovet não se ilude, a culpa é mesmo do sistema, dos professores que são coniventes com a mediocridade. “Se a literatura vincula-se somente a teorias recônditas, se não é colocada constantemente do lado da vida mesma, das condições sociais e do nosso quotidiano, as aulas de literatura não servem para praticamente nada”.  Essa atitude explica que hoje não existam discípulos, nem escolas de pensamento, apenas alunos que são clientes em busca do título.

As recomendações que fazia Diderot para a Universidade de S. Petersburgo, trazem mais luz sobre o tema: “O objeto de uma escola pública não é produzir um homem profundo de um gênero qualquer, mas inicia-lo numa série de conhecimentos cuja ignorância o converteria em alguém prejudicial em todos os estados de vida, e mais ou menos vergonhoso em alguns deles. Gerar homens de bem e não apenas sábios”. E também Jovellanos, o intelectual espanhol, que advertia contra o perigo da especialização sem critério: “esta especialização, tão proveitosa para o progresso, é funesta para o estado das ciências. Se quebramos a árvore da sabedoria, de nada aproveita ter ramas frondosas, se perdemos a conexão que entre si tem todos os conhecimentos humanos”. Já dizia Ortega –a lembrança é minha- que o especialista é um ser perigoso, porque sabendo apenas algumas coisas em certa profundidade, tem a pretensão de opinar e pontificar sobre tudo com a mesma arrogância.

Mas, no meio desta enxurrada de críticas –são histórias que o autor pessoalmente viveu e vive- despontam também as sugestões e a esperança   “Se depois da conquista de Europa pelos bárbaros, surgiu o proto-renascimento Carolíngio, é possível recuperarmos um novo renascimento hoje, com a reincorporação dos homens de letras e dos humanistas: teremos de esperar e não baixar a guarda. É preciso entender que o saber clássico tem uma função muito peculiar: o de ser um conservador nas ruinas do tempo. E por isso os humanistas, os que cultivam as humanidades, sabem extrair das culturas as formas produtivas e refinadas do pensamento e produção artística , compreende-las e criar os meios para que o resto da sociedade possa também pensar e perceber nesse mesmo nível. Uma tentativa que permite que o humano não se degrade, e ocupe o lugar que lhe corresponde. Quase poderíamos dizer, com Llovet e com Holderlin, “para que humanidades nestes tempos de Facebook?”….A resposta é por conta de cada um de nós.

 

Pablo González Blasco é médico (FMUSP, 1981) e Doutor em Medicina (FMUSP, 2002). Membro Fundador (São Paulo, 1992) e Diretor Científico da SOBRAMFA – Sociedade Brasileira de Medicina de Família, e Membro Internacional da Society of Teachers of Family Medicine (STFM). É autor dos livros “O Médico de Família, hoje” (SOBRAMFA, 1997), “Medicina de Família & Cinema” (Casa do Psicólogo, 2002) “Educação da Afetividade através do Cinema” (IEF-Instituto de Ensino e Fomento/SOBRAMFA, São Paulo, 2006) , ”Humanizando a Medicina: Uma Metodologia com o Cinema” (Sâo Camilo, 2011) e “Lições de Liderança no Cinema” (SOBRAMFA, 2013). Co-autor dos livros “Princípios de Medicina de Família” (SOBRAMFA, São Paulo, 2003) e Cinemeducation: a Comprehensive Guide to using film in medical education. (Radcliffe Publishing, Oxford, UK. 2005).

Fonte:  <http://www.pablogonzalezblasco.com.br/2015/12/11/jordi-llovet-adios-a-la-universidad-el-eclipse-de-las-humanidades/#more-2523>

Newman e a educação liberal (por Júlio César Lemos)

 | 11/08/2015 |

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Ilustração por Paulo von Poser

Ilustração por Paulo von Poser

 

John Henry Newman inicia seu prefácio a The Idea of a University deixando claro o objetivo último dos discursos coligidos nessa obra, e dirigidos aos católicos de Dublin: mostrar que a Universidade é um “lugar onde se ensina o conhecimento universal”.

O pano de fundo dessa obra é a tentativa de Newman de estabelecer um programa de ensino superior (higher education) para a Universidade Católica da Irlanda, da qual se tornou o primeiro reitor em 1851. A criação dessa Universidade atendia a uma diretiva de Roma; desde a conquista da Irlanda pelos ingleses em 1653, os católicos irlandeses praticamente não tinham tido acesso ao ensino superior, e as instituições universitárias existentes eram de confissão anglicana, como o tradicional Trinity College de Dublin. Após a criação dos colleges governamentais de Cork e Galway – apelidados de “godless colleges” por Sir Robert Inglis -, a santa sé resolveu estimular a criação de um ambiente universitário católico na ilha.

A diretriz foi tomada a peito por Paul Cullen, arcebispo de Armagh. Este, que conhecia Newman desde quatro anos antes, chamou-o para tomar parte no empreendimento como reitor. A oposição que encontrou levou-o a uma declaração muito significativa: “Alguns dos bispos não querem essa nomeação, mas não dispomos na Irlanda de uma pessoa adequada. Newman equivale por si só a um exército”. Após considerar o assunto, Newman aceitou a nomeação em 14 de novembro de 1851. Para preparar o terreno, começou a redigir uma série de discursos públicos destinados cativar os ambientes cultos de Dublin e torná-los receptivos à Universidade, bem como atrair pessoas que pudessem ocupar as cátedras da nova instituição.

O primeiro discurso foi pronunciado a 10 de maio de 1852. Teve grande êxito, apesar do seu caráter “excessivamente intelectual”, como na ocasião se comentou. Mais quatro foram pronunciados nas semanas seguintes, mas os quatro últimos nunca chegaram a ser lidos publicamente, pois pouco mais tarde Newman foi forçado a desistir do projeto todo. Os nove discursos foram publicados mais de dez anos depois, em 1863, em Discourses on University Education, e uma segunda vez outros cinco anos mais tarde, em Lectures and Essays on University Subjects. Por fim, em 1873, passaram a constituir, já revistos e melhorados, a primeira parte do The Idea of a University, juntamente com outros que constituem a segunda parte; essa edição de 1873 é a considerada definitiva. Para efeitos deste ensaio, utilizamos a edição da Doubleday, New York, 1959.

Como diz o título desta seção, esta obra ainda não mereceu uma edição completa no Brasil. Até onde foi possível verificar, houve apenas o lançamento de Newman e a idéia de uma Universidade, organizado por Frank M. Turner, pela EDUSC (tradução de Gilson César Cardoso de Sousa; São Carlos, 2001, 474 págs.; o original, de 1996, é da Yale University Press). O problema é que essa edição não traz todos os textos originais e em vez disso introduz cinco ensaios que pretendem interpretar e atualizar o pensamento de Newman – com um sucesso bastante desigual. Para quem tiver interesse no original, há no momento duas edições completas disponíveis no mercado: a da Loyola University Press, de 1987, e a da University of Notre Dame Press, de 1982. Também se pode encontrar o texto integral em www.newmanreader.org, um site muito bem cuidado e criterioso [1].

Antes de entrarmos no livro propriamente dito, duas palavras sobre o autor. Diz-se com freqüência que as suas obras são um monumento da prosa inglesa – com o que só podemos concordar -, mas que as suas idéias estariam desatualizadas – o que a sua popularidade lenta e firmemente crescente não avaliza. Sem dúvida, não é um autor “de moda”: como todos os pensadores realmente grandes, nunca experimenta um boom nem é possível torná-lo popularesco sem perder o essencial do seu pensamento. Por isso, não o veremos em propagandas, filmes ou jornais; mas é conhecido e respeitado mesmo por aqueles que nunca se atreveram a enfrentar o que escreveu, o que é certamente um dos maiores sinais de grandeza.

Newman tem a reputação de ser um pensador, escritor e pregador “difícil” e altamente “intelectual”. Isso se deve, provavelmente, ao elevado nível de concatenação do seu pensamento, que faz com que praticamente nunca se repita, apesar de ter pronunciado literalmente centenas de sermões e discursos. Além disso, são notáveis as suas frases redondas, completas, sintaticamente ricas, que traduzem uma notável capacidade de observação aliada a um pensamento atento aos matizes e ao mesmo tempo extremamente claro, direto e simples nos diagnósticos, e imbuído ainda por cima de uma suave e amável ironia. Sirva de exemplo um trecho do “Discurso I” do The Idea of a University, que nos servirá para introduzir o tema central desta resenha-ensaio. Newman descreve aqui o homem intelectualmente imaturo:

 “Seria bom que ninguém permanecesse um menino ao longo da vida inteira; no entanto, o que é mais comum do que ver homens crescidos falando de temas políticos, morais ou religiosos dessa maneira superficial e frívola que descrevemos com a palavra absurdo? ‘Simplesmente não sabem do que estão falando’: essa é a observação espontânea e silenciosa de qualquer pessoa de bom senso que os ouça. Daí que esses homens não encontrem dificuldade em contradizer-se em sentenças sucessivas, sem terem consciência de fazê-lo.  Daí que outros, cujas deficiências de treinamento intelectual são mais latentes, apresentem lamentáveis distorções […] que os privam da influência que as suas qualidades, de resto muito grandes, lhes proporcionariam. Daí que outros nunca consigam enxergar com retidão, nunca vejam o que está em jogo, e nunca encontrem dificuldades mesmo nos assuntos mais difíceis. Outros são irremediavelmente obstinados e preconceituosos e, depois que tiveram de abrir mão das suas opiniões, retornam a elas logo no momento seguinte sem ao menos tentarem explicar por quê. Outros ainda são tão destemperados e teimosos que não há calamidade maior para uma causa boa do que contá-los entre os seus defensores”.

Como se vê, o trecho nada tem de obscuro ou difícil; simplesmente está formulado com uma amplitude e perfeição de acabamento da qual quase se pode dizer que perdemos o segredo.

Outra qualidade intelectual de Newman, essencial ao tema que nos interessa, é a sua honestidade intelectual, a disposição de “tomar a verdade pelos chifres” custasse o que lhe custasse. Foi por isso que teve a força suficiente para converter-se do anglicanismo ao catolicismo, mesmo sabendo que isso lhe custaria a sua posição de capelão de Oxford, o prestígio de teólogo renovador da Igreja anglicana e até o seu sacerdócio. E não é descabido supor que boa parte da resistência que enfrentou por parte dos católicos irlandeses também seja devida ao fato de não olhar a conveniências, mas à sua consciência.

Mas voltemos mais especificamente à obra que nos interessa. Graças às qualidades que acabamos de mencionar, o resultado final não é uma coletânea de peças de ocasião, mas um longo ensaio dividido em várias teses e dotado de uma forte unidade de pensamento. “A unidade que conecta entre si as diversas partes do Idea of a University – comenta G.N. Schuester – é a força da mente de Newman”.

O plano da primeira parte, intitulada “Ensino universitário”, é o seguinte:

– Discurso I: introdutório, sobre a definição e a necessidade do ensino universitário;

– Discurso II: a teologia como ramo da ciência (knowledge, “conhecimento certo”);

– Discurso III: a influência da teologia nas outras ciências;

– Discurso IV: a influência das outras ciências na teologia;

– Discurso V: o conhecimento como fim em si mesmo;

– Discurso VI: o conhecimento do ponto de vista do aprendizado;

– Discurso VII: o conhecimento do ponto de vista da habilidade profissional;

– Discurso VIII: o conhecimento do ponto de vista do dever religioso;

– Discurso IX: os deveres da Igreja com relação ao conhecimento.

A segunda parte, intitulada “Temas universitários”, traz ensaios sobre a relação entre o cristianismo e as letras, a literatura, a literatura católica de língua inglesa, os estudos básicos (gramática, redação), a descrença e o ensino universitário, o papel da pregação na Universidade, o cristianismo e a física, o cristianismo e a pesquisa científica, o cristianismo e as ciências médicas, e a disciplina (treinamento) da inteligência. Newman desenvolve aqui, em diversas direções especializadas, as idéias que já apresentou de maneira ampla na parte inicial.

Ainda um comentário antes de enfrentarmos a questão central que unifica esse temário. Num momento em que muitos pensariam encontrar uma intrusão indevida da fé em matérias científicas ou filosóficas, convém esclarecer que, se há alguém consciente das exigências da razão e da liberdade acadêmica, é esse pensador. Um dos aspectos em que fica mais evidente a sua grandeza intelectual é precisamente que seja capaz de harmonizar esses dois âmbitos de verdade sem encontrar oposição entre eles e sem reduzir nenhum dos dois a um simulacro, e por isso mesmo tenha uma clara distinção dos respectivos âmbitos num momento em que, na mentalidade eclesiástica e popular, os dois estavam completamente imbricados. Ninguém consegue ser mais honesta e entusiasticamente racional do que ele, e por isso também um cético e um descrente encontram muitas idéias luminosas mesmo nas obras mais católicas que escreveu.

O problema central em The Idea of a University é o da “educação liberal”, cuja atualidade é evidente. Com efeito, já há tempos que os “espíritos acadêmicos” vêm alertando as elites para a crise da instituição universitária. Geralmente, identifica-se a causa dessa crise no gradual deslizamento da própria concepção da Universidade: da universitas scientiarum (“conjunto universal das ciências”) medieval passamos para a “academia científica” dos séculos XIX-XX e estamos agora chegando à de “provedora do mercado de trabalho”. Já Newman – que pôde sentir na sua carne esse problema, graças aos dois períodos que passou em Oxford -, recupera e atualiza a concepção original, formulando-a como “a place of teaching universal knowledge”, “um lugar onde se ensina um conhecimento universal“.

A questão da universalidade do conhecimento é estudada no discurso intitulado Knowledge Its Own End, em que o autor se volta para os estudantes. A Universidade, diz ele, é antes de mais nada um ambiente composto por professores, pesquisadores e alunos. Embora os professores e pesquisadores não estejam estudando as mesmas ciências particulares, todos se beneficiam desse convívio: homens zelosos dos seus ramos de conhecimento, a princípio rivais uns dos outros, são trazidos a um habitat comum, por assim dizer “familiar” (não à toa a Universidade era conhecida como alma mater, que não quer dizer “alma mãe”, mas “mãe carinhosa”), ambiente esse que os obrigará a ajustar as suas próprias pretensões às das outras ciências, respeitando-se, ajudando-se e consultando-se mutuamente. É essa a atmosfera em que o aluno viverá, levando-o a inserir-se em uma tradição intelectual e a formar um hábito de estudo que durará toda a vida, e “cujos atributos são a liberdade, a eqüidade, a calma, a moderação e a sabedoria” (Discurso V).

Mas, afinal de contas, o que é a educação liberal?

Newman não considera adequado utilizar a distinção meramente gramatical entre liberale e servile, porque há atividades predominantemente “servis” (manuais) tidas por “liberais”, como o hipismo, os jogos olímpicos, a guerra, a caça, etc.; e atividades intelectuais que definitivamente não podem receber a qualificação de “liberais”, como o comércio, a medicina – na Antigüidade praticada por escravos -, e em geral as profissões de natureza técnica. Como ponto de partida, prefere valer-se desta consideração de Aristóteles: “Das coisas que possuímos […], algumas são úteis, por trazerem ‘fruto’; outras são liberais, por tenderem à ‘satisfação’. […] Estas últimas nenhuma outra conseqüência trazem além da produzida pelo seu uso em si mesmo” (Ret. 1, 5).

O contexto da educação liberal é, assim, o da posse de um conhecimento que é fim em si mesmo; e assim uma Universidade que se proponha essa meta – a de ensinar o conhecimento como um fim -, e eduque os estudantes de acordo com esse critério ministrará uma “educação liberal”. O conhecimento que lhe serve de fundamento é filosófico; pois “o conhecimento é especialmente liberal, ou suficiente em si mesmo – para além de qualquer finalidade externa e ulterior -, quando e na medida em que é filosófico” (Discurso V).

É evidente que “conhecer é poder”, mas antes de mais nada conhecer é um bem. Esse bem pode ser instrumentalizado por uma ars servilis e produzir um fruto tangível; mas também pode voltar-se para a razão que o informa, tornando-se filosófico. No primeiro caso, temos um saber útil; no outro, um saber liberal, “gentlemanly”. Embora a vida não possa existir sem o útil, torna-se muito mais nobre quando preenchida pelo conhecimento filosófico, de acordo com o “princípio da dignidade real do conhecimento” (Discurso VI). Por essa razão, no âmbito universitário deve-se falar, não em instrução, mas em educação.

A educação liberal consiste no cultivo da inteligência, e o seu objeto é unicamente a excelência intelectual; por si só, ela não promete nem a virtude, nem o conforto, nem a consolação espiritual. Eis um parêntese digno de nota. Newman recorda dolorosos exemplos de filósofos, homens serenos e magnânimos que, diante de fortes contrariedades, caíram no desespero, contradizendo o que vinham pregando a vida inteira. A observação é importante para mostrar aos leitores e ouvintes que não se pode esperar da educação liberal aquilo que não é da sua competência; a questão da educação da afetividade e da aquisição das virtudes é um capítulo à parte, pois a perfeição e a beleza da inteligência não trazem consigo, necessariamente, perfeição moral. Todavia, a liberal education é excelente estímulo e preparação para essa outra esfera.

O autor comenta que não há, em inglês, um termo que traduza essa idéia de excelência ou perfeição intelectual, como o fazem as palavras health (“saúde”) e virtue (“virtude”) em outras esferas. Wisdom (“sabedoria”) tem o inconveniente de pressupor a boa conduta pessoal, e “conhecimento” (knowledge, science) o de não ser uma qualidade do intelecto, mas um conteúdo desse mesmo intelecto. Como comentava J. Dufy em um artigo no Rambler, segundo Newman a educação liberal não constitui uma mera “aquisição mental”, mas o sistema, a forma, a vida que informa filosoficamente essa aquisição.

Em todo caso, a idéia não é difícil de compreender: trata-se do cultivo do intelecto como um fim em si mesmo; e a sua proposta é usar para isso o termo filosofia, ou então conhecimento filosófico. Seja qual for o termo utilizado, porém, o fim da Universidade é proporcionar aos estudantes exatamente esse tipo de cultura intelectual, analogamente ao que faz um hospital com os seus pacientes quando lhes proporciona os meios para atingir a saúde.

O resultado final dessa educação – o beau ideal da Universidade – será, deste modo, uma visão de mundo calma, acurada, serena; uma compreensão de todas as coisas, cada uma no seu lugar, enxergada com as suas características próprias. É uma idéia próxima da denotada pelo termo theoría de Aristóteles, a atividade mais nobre da qual se poderia ocupar o homem, não raro traduzida por “contemplação”.

Essa excelência intelectual, continua Newman, obtém-se com esforço. Mas pode-se ler muitos livros, observar muitos exemplos e comparações, examinar muitos assuntos, realizar experiências e assistir a muitas palestras sem atingir esse objetivo. O que é necessário, pergunta-se ele no Discurso VII, para obter essa qualidade intelectual, filosófica? Afinal, esta é justamente a finalidade da educação liberal: a capacidade de emitir julgamentos claros, filosóficos, que compreendam a diferença entre o verdadeiro e o falso, entre o que tem e o que não tem valor.

Como já ficou claro, a educação liberal é uma questão de disciplina e hábito, uma disciplina e um hábito que levam à apreensão, não de fins secundários do conhecimento – como ocorre nas filosofias utilitaristas -, mas do seu objeto próprio. A definição formulada por Newman, nesse sentido, merece ser chamada genial:

“O processo de treinamento pelo qual o intelecto, ao invés de ser formado em um propósito particular ou acidental – ou sacrificado a ele -, como uma profissão, ofício, estudo ou ciência específicos, é disciplinado em função de si mesmo, dirigido para a apreensão do seu objeto próprio [as coisas como são], tendo por fim o seu mais alto grau de cultivo, isso é o que se chama educação liberal” (Discurso VII).

Isto não significa que essa educação não seja útil. Newman lembra que, se é verdade que nem tudo o que é útil é bom, tudo o que é bom é sempre útil, porque o bem é difusivo, superabundante; e se o intelecto é uma porção tão excelente do homem, então o seu cultivo não é apenas o cultivo do belo, do agradável, da perfeição e da nobreza, mas também daquilo que é mais útil para o seu possuidor e para tudo o que está ao seu redor. Útil não no sentido mecânico, mercantil, mas como tesouro, dom, poder. Se se reconhece que a educação liberal é um bem, não se pode deixar de admitir que é útil.

Newman argumenta que a educação liberal dada pela Universidade – eis a sua utilidade – tem como objetivo aumentar o nível intelectual médio da sociedade. Ela cultiva a mentalidade pública, purifica o gosto, fornece verdadeiros princípios para o entusiasmo popular, confere sobriedade às idéias do tempo, facilita o exercício do poder político e refina o intercâmbio pessoal na esfera privada. Finalmente, o homem que a possui tem uma visão clara e consciente das suas próprias opiniões e juízos, desenvolve-os de acordo com um critério verdadeiro, exprime-os com eloqüên-cia e força.

Essa concepção newmaniana da educação liberal convida a um breve comentário, com o qual encerraremos o artigo.

A mentalidade moderna tende a considerar qualquer instituição – incluídas as de natureza religiosa – como mero produto histórico, sujeito à construção social, quando não a uma “dialética da História” determinista, no sentido hegeliano. A Universidade não seria uma exceção. É de se notar, contudo, que a Universidade, assim como muitas outras instituições importantes, possui não só uma origem que não pode ser ignorada, mas também uma vocação que lhe é própria, que a faz ser aquilo que é, e que desempenha um papel social insubstituível.

Isso não significa que os elementos acidentais da educação universitária não devam submeter-se às mudanças do Zeitgeist. E, por mais que a Universidade seja herdeira da Academia platônica e das primeiras Universidades medievais – Coimbra, Oxford, Paris, Salamanca… -, não se trata tampouco de reviver experiências já passadas ou manter a todo o custo estruturas fossilizadas. Agora, se a Universidade é transformada em outra coisa, mantendo-se embora o seu nome, desaparece ao mesmo tempo a sua função social. A sociedade como um todo, ao invés de enriquecer-se, empobrece.

Este é o motivo, segundo penso, do título atribuído por Newman: Idea of a University. O que ele procura é apresentar-nos uma Universidade ideal, fiel à sua vocação própria. Se descaracterizamos isso a que ele e outros pensadores dão esse nome, aplicando-o a instituições de ensino superior preocupadas apenas com produzir conhecimento ou, pior, informação, ou com o formar pessoas de acordo com a demanda em moda no mercado de trabalho, estamos desvirtuando esse nome. Há um lugar para esse tipo de ensino científico-técnico, certamente, e um lugar enormemente importante – só não deveria chamar-se “Universidade”, e sim “Escola superior técnica” (Technische Hochschule, como dizem os alemães), “Escola Politécnica”, “Faculdade” ou o que queiramos.

O panorama mundial, neste sentido, não é animador: estatisticamente, quase não há mais Universidades dignas do nome. Mas algo sobra desse ideal acadêmico genuíno em algumas Universidades européias e americanas, inclusive novas, que não só possuem um curriculum que inclui disciplinas de caráter liberal, mas também – o que é mais importante – professores e alunos animados por esse ideal.

Como sabemos, o empreendimento de Newman falhou, em boa parte devido às resistências que encontrou nos meios universitário e eclesiástico. No entanto, o grande fracasso deu-se depois da sua saída: vinte anos mais tarde, em 1879, a Universidade Católica da Irlanda recebeu ao todo três (!) pedidos de matrícula, porque nem era escola técnica reconhecida pelo Estado, nem empreendimento universitário digno desse nome.

Uma reforma geral das Universidades parece hoje uma causa perdida, embora seja muito mais uma questão do espírito com que se fazem as coisas do que das coisas que se fazem. Por isso mesmo, o ideário de Newman continua tão atual hoje como quando pronunciou os seus discursos na subdesenvolvida Irlanda de 1851. E para quem não perdeu o ideal da educação liberal e filosófica, ou para quem deseja adquiri-lo, o seu livro constitui um norte permanente. Basta que nos lembremos do conselho atribuído a Thomas Payne e que Chesterton repete em toda a sua obra: “Lost causes are the only causes worth fighting for”, as causas perdidas são as únicas pelas quais vale a pena lutar…

Júlio César Lemos é escritor e doutor pela Faculdade de Direito da USP.


NOTAS:

[1] É interessante ver também José Ortega y Gasset, Missão da Universidade e outros textos, trad. Carlos Filipe Nogueira, Coimbra: Angelus Novus, 2003, 142 págs.; e Jaroslav Pelikan, The Idea of the University: A Reexamination, Yale University Press, 1992, 248 págs., série de conferências sobre a situação contemporânea das academias influenciada por Newman


Artigo publicado originalmente na revista-livro do Instituto de Formação e Educação (IFE), Dicta&Contradicta, Edição 1, 2008.

ÚLTIMA SEMANA PARA INSCRIÇÕES :: CURSO “INTÉRPRETES DO BRASIL” (2º SEM./2015)

 | 28/07/2015 |

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Prezados(as), ainda há tempo de fazer sua inscrição e garantir sua vaga. O curso começa no próximo sábado (01/Agosto/2015). Se ainda não conhece o curso confira abaixo. Se já o conhece, pode fazer sua matrícula diretamente através deste link http://unisal.br/cursos/interpretes-do-brasil/ (basta clicar ao lado direito em “Inscreva-se para este curso” e seguir os passos).

* Avisamos também, para aqueles que não estavam conseguindo fazer sua inscrição, que o problema foi resolvido e o sistema voltou ao normal.

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CURSO DE EXTENSÃO “INTÉRPRETES DO BRASIL” | IFE CAMPINAS/UNISAL

A proposta do curso é familiarizar o público não especializado com as idéias chave de seis pensadores que marcaram época na reflexão sobre a identidade nacional brasileira e que exerceram influência decisiva sobre a modelagem de nossas instituições políticas e educacionais em sua configuração atual.

São eles: José Bonifácio, Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda e Darcy Ribeiro.

AGENDA DO CURSO:

(As ementas de cada aula e breve currículo dos professores estão ao final deste post.)

1º/AGOSTO
1. JOSÉ BONIFÁCIO, PATRIARCA DA INDEPENDÊNCIA
Prof. Esp. Rafael Nogueira

22/AGOSTO
2. JOAQUIM NABUCO, ESTADISTA DO IMPÉRIO
Prof. Ms. Bruno Garschagen

12/SETEMBRO
3. GILBERTO FREYRE, PENSADOR DA IDENTIDADE NACIONAL
Prof. Ms. Flávio Alencar

26/SETEMBRO
4. CAIO PRADO JÚNIOR, HISTORIADOR DO BRASIL
Prof. Ms. Fábio Florence

3/OUTUBRO
5. SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA, DEFENSOR DA BRASILIDADE
Prof. Ms. Aldo Fernandes

7/NOVEMBRO
6. DARCY RIBEIRO, O ANTROPÓLOGO DA REPÚBLICA
Prof. Dr. João Malheiro

BENEFÍCIOS DO CURSO:

– Único do mercado
– Professores altamente qualificados
– Material (pasta, folhas etc.)
– Conhecimento válido para a vida
– Coffee break a cada atividade
– Salas com recurso multimídia
– Artigos do IFE no jornal Correio Popular no mailing list dos alunos
– Recebimento de certificado ao final

INSCRIÇÕES:

– Enviar e-mail para ifecampinas@ife.org.br solicitando ficha cadastral OU diretamente através deste link http://unisal.br/cursos/interpretes-do-brasil/ (Clique do lado direito em “Inscreva-se para este curso”)
– INVESTIMENTO: 5 parcelas de R$ 129,00 para 6 aulas (R$ 129,90 na Matrícula + 4 de R$ 129,00)

HORÁRIO: Manhãs de sábado. 9h00-10h30 (1ª parte); 10h30 Coffee break; 11h00-12h00 (2ª e última parte)

REALIZAÇÃO:

IFE CAMPINAS
www.ife.org.br

PARCERIA:

UNISAL
www.unisal.br

LOCAL:

UNISAL – Liceu Salesiano
Unidade Liceu Salesiano, R. Baronesa Geraldo de Resende, 330
Jd. Guanabara, Campinas/SP – CEP 13075-270

Cartaz_InterpretesBrasil-WEB

→ Para visualizar o cartaz do curso em PDF acesse este link: http://ifecampinas.org.br/wp-content/uploads/2015/06/Cartaz_InterpretesBrasil-WEB-PDF.pdf
→ Para visualizar o cartaz do curso em JPEG acesse este link: http://ifecampinas.org.br/wp-content/uploads/2015/06/Cartaz_InterpretesBrasil-WEB-high_02.jpg

EMENTAS E BREVE CURRÍCULO DOS PROFESSORES

1º/AGOSTO
  1. JOSÉ BONIFÁCIO, PATRIARCA DA INDEPENDÊNCIA

José Bonifácio de Andrada e Silva desempenhou papel fundamental não apenas em nosso processo de emancipação, mas também na construção de um governo centralizador e forte o bastante para impedir a fragmentação do território nacional. Homem de visões lúcidas e ricas, assinalou o papel positivo da miscigenação racial para a formação da nação brasileira, arquitetou o poder moderador (decisivo para a estabilidade política do império) e exerceu importante influência na formação de Dom Pedro II, na qualidade de seu tutor pessoal.

Por Rafael Nogueira: Especialista em Educação pela UNIMES, Bacharel em Direito, Licenciado e Bacharel em Filosofia pela UniSantos.

22/AGOSTO
  1. JOAQUIM NABUCO, ESTADISTA DO IMPÉRIO

Conhecido como figura de ponta do movimento abolicionista, Joaquim Nabuco foi um verdadeiro “cidadão do mundo”. Frequentou os principais meios intelectuais da chamada “Era Vitoriana” e elaborou importantes e originais lições a partir da prática política de seu pai, senador Nabuco de Araújo, um dos arquitetos da política da conciliação no segundo reinado.

Por Bruno Garschagen: Palestrante, Escritor, Editor e Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pela UCP (Portugal). Visiting student da University of Oxford.

12/SETEMBRO
  1. GILBERTO FREYRE, PENSADOR DA IDENTIDADE NACIONAL

Autor de uma das obras mais originais sobre a formação da identidade brasileira, “Casa Grande e Senzala”, Gilberto Freyre é, sobretudo, conhecido pela avaliação positiva da miscigenação racial como fator de formação do povo brasileiro. Mas, além disso, empreendeu longas viagens por territórios de colonização portuguesa e empreendeu, até o fim de sua longa vida, um incansável esforço para compreender o caráter específico da colonização da portuguesa e suas constantes culturais.

Por Flávio Alencar: Mestre em História pela UFF (RJ) e pesquisador visitante no Russell Kirk Center (EUA).

26/SETEMBRO
  1. CAIO PRADO JÚNIOR, HISTORIADOR DO BRASIL

A obra do paulista Caio Prado Júnior é marcada pela tentativa de adaptação do pensamento marxista à análise da formação brasileira. Seguindo a conhecida sentença de Marx, segundo a qual “os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras; trata-se agora de transformá-lo”, Prado Júnior influenciou de maneira decisiva os movimentos sociais de esquerda que até hoje marcam forte presença na política brasileira.

Por Fabio Florence: Doutorando pela PUC-SP, Mestre em Filosofia pela UNICAMP e bacharel em Direito pela PUC-Campinas (SP).

3/OUTUBRO
  1. SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA, DEFENSOR DA BRASILIDADE

Autor do celebrado clássico “Raízes do Brasil”, mas também de “Caminhos e Fronteiras”, Sérgio Buarque de Holanda adaptou o instrumental teórico de grandes historiadores alemães, como Leopold Von Ranke e Eduard Meyer, e do sociólogo Max Weber para compreender a especificidade do homem brasileiro.

Por Aldo Rio Branco Fernandes: Gen Bda Ex, Mestre em História do Brasil e Professor de História da EsPCEX e da AMAN (SP).

7/NOVEMBRO
  1. DARCY RIBEIRO, O ANTROPÓLOGO DA REPÚBLICA

Influenciado pelo marxismo, mas não limitado a ele, Darcy Ribeiro empreendeu o último grande esforço teórico de interpretação da realidade brasileira em seu clássico “O Povo Brasileiro” (publicado em 1995). Além de antropólogo e romancista, Ribeiro desempenhou papel de destaque nas reformas educacionais brasileiras nos governos de João Goulart e, no Rio de Janeiro, de Leonel Brizola.

Por João Malheiro: Doutor em Educação pela UFRJ, pesquisador e autor do livro “A Alma da Escola do Século XXI”

***

Agradecemos sua atenção.
Cordialmente,

Equipe IFE Campinas.

INSCRIÇÕES ABERTAS :: “INTÉRPRETES DO BRASIL” :: CURSO DE EXTENSÃO IFE CAMPINAS

 | 08/07/2015 |

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A proposta do curso é familiarizar o público não especializado com as idéias chave de seis pensadores que marcaram época na reflexão sobre a identidade nacional brasileira e que exerceram influência decisiva sobre a modelagem de nossas instituições políticas e educacionais em sua configuração atual.

São eles: José Bonifácio, Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda e Darcy Ribeiro.

AGENDA DO CURSO:

(As ementas de cada aula e breve currículo dos professores estão ao final deste post.)

1º/AGOSTO
1. JOSÉ BONIFÁCIO, PATRIARCA DA INDEPENDÊNCIA
Prof. Esp. Rafael Nogueira

22/AGOSTO
2. JOAQUIM NABUCO, ESTADISTA DO IMPÉRIO
Prof. Ms. Bruno Garschagen

12/SETEMBRO
3. GILBERTO FREYRE, PENSADOR DA IDENTIDADE NACIONAL
Prof. Ms. Flávio Alencar

26/SETEMBRO
4. CAIO PRADO JÚNIOR, HISTORIADOR DO BRASIL
Prof. Ms. Fábio Florence

3/OUTUBRO
5. SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA, DEFENSOR DA BRASILIDADE
Prof. Ms. Aldo Fernandes

7/NOVEMBRO
6. DARCY RIBEIRO, O ANTROPÓLOGO DA REPÚBLICA
Prof. Dr. João Malheiro

BENEFÍCIOS DO CURSO:

– Único do mercado
– Professores altamente qualificados
– Material (pasta, folhas etc.)
– Conhecimento válido para a vida
– Coffee break a cada atividade
– Salas com recurso multimídia
– Artigos do IFE no jornal Correio Popular no mailing list dos alunos
– Recebimento de certificado ao final

INSCRIÇÕES:

– Enviar e-mail para ifecampinas@ife.org.br solicitando ficha cadastral OU diretamente através deste link http://unisal.br/cursos/interpretes-do-brasil/ (Clique do lado direito em “Inscreva-se para este curso”)
– INVESTIMENTO: 5 parcelas de R$ 129,00 para 6 aulas (R$ 129,90 na Matrícula + 4 de R$ 129,00)

HORÁRIO: Manhãs de sábado. 9h00-10h30 (1ª parte); 10h30 Coffee break; 11h00-12h00 (2ª e última parte)

REALIZAÇÃO:

IFE CAMPINAS
www.ife.org.br

PARCERIA:

UNISAL
www.unisal.br

LOCAL:

UNISAL – Liceu Salesiano
Unidade Liceu Salesiano, R. Baronesa Geraldo de Resende, 330
Jd. Guanabara, Campinas/SP – CEP 13075-270

Cartaz_InterpretesBrasil-WEB

→ Para visualizar o cartaz do curso em PDF acesse este link: http://ifecampinas.org.br/wp-content/uploads/2015/06/Cartaz_InterpretesBrasil-WEB-PDF.pdf
→ Para visualizar o cartaz do curso em JPEG acesse este link: http://ifecampinas.org.br/wp-content/uploads/2015/06/Cartaz_InterpretesBrasil-WEB-high_02.jpg

EMENTAS E BREVE CURRÍCULO DOS PROFESSORES

1º/AGOSTO
  1. JOSÉ BONIFÁCIO, PATRIARCA DA INDEPENDÊNCIA

José Bonifácio de Andrada e Silva desempenhou papel fundamental não apenas em nosso processo de emancipação, mas também na construção de um governo centralizador e forte o bastante para impedir a fragmentação do território nacional. Homem de visões lúcidas e ricas, assinalou o papel positivo da miscigenação racial para a formação da nação brasileira, arquitetou o poder moderador (decisivo para a estabilidade política do império) e exerceu importante influência na formação de Dom Pedro II, na qualidade de seu tutor pessoal.

Por Rafael Nogueira: Especialista em Educação pela UNIMES, Bacharel em Direito, Licenciado e Bacharel em Filosofia pela UniSantos.

22/AGOSTO
  1. JOAQUIM NABUCO, ESTADISTA DO IMPÉRIO

Conhecido como figura de ponta do movimento abolicionista, Joaquim Nabuco foi um verdadeiro “cidadão do mundo”. Frequentou os principais meios intelectuais da chamada “Era Vitoriana” e elaborou importantes e originais lições a partir da prática política de seu pai, senador Nabuco de Araújo, um dos arquitetos da política da conciliação no segundo reinado.

Por Bruno Garschagen: Palestrante, Escritor, Editor e Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pela UCP (Portugal). Visiting student da University of Oxford.

12/SETEMBRO
  1. GILBERTO FREYRE, PENSADOR DA IDENTIDADE NACIONAL

Autor de uma das obras mais originais sobre a formação da identidade brasileira, “Casa Grande e Senzala”, Gilberto Freyre é, sobretudo, conhecido pela avaliação positiva da miscigenação racial como fator de formação do povo brasileiro. Mas, além disso, empreendeu longas viagens por territórios de colonização portuguesa e empreendeu, até o fim de sua longa vida, um incansável esforço para compreender o caráter específico da colonização da portuguesa e suas constantes culturais.

Por Flávio Alencar: Mestre em História pela UFF (RJ) e pesquisador visitante no Russell Kirk Center (EUA).

26/SETEMBRO
  1. CAIO PRADO JÚNIOR, HISTORIADOR DO BRASIL

A obra do paulista Caio Prado Júnior é marcada pela tentativa de adaptação do pensamento marxista à análise da formação brasileira. Seguindo a conhecida sentença de Marx, segundo a qual “os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras; trata-se agora de transformá-lo”, Prado Júnior influenciou de maneira decisiva os movimentos sociais de esquerda que até hoje marcam forte presença na política brasileira.

Por Fabio Florence: Doutorando pela PUC-SP, Mestre em Filosofia pela UNICAMP e bacharel em Direito pela PUC-Campinas (SP).

3/OUTUBRO
  1. SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA, DEFENSOR DA BRASILIDADE

Autor do celebrado clássico “Raízes do Brasil”, mas também de “Caminhos e Fronteiras”, Sérgio Buarque de Holanda adaptou o instrumental teórico de grandes historiadores alemães, como Leopold Von Ranke e Eduard Meyer, e do sociólogo Max Weber para compreender a especificidade do homem brasileiro.

Por Aldo Rio Branco Fernandes: Gen Bda Ex, Mestre em História do Brasil e Professor de História da EsPCEX e da AMAN (SP).

7/NOVEMBRO
  1. DARCY RIBEIRO, O ANTROPÓLOGO DA REPÚBLICA

Influenciado pelo marxismo, mas não limitado a ele, Darcy Ribeiro empreendeu o último grande esforço teórico de interpretação da realidade brasileira em seu clássico “O Povo Brasileiro” (publicado em 1995). Além de antropólogo e romancista, Ribeiro desempenhou papel de destaque nas reformas educacionais brasileiras nos governos de João Goulart e, no Rio de Janeiro, de Leonel Brizola.

Por João Malheiro: Doutor em Educação pela UFRJ, pesquisador e autor do livro “A Alma da Escola do Século XXI”

***

Agradecemos sua atenção.
Cordialmente,

Equipe IFE Campinas.