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Erotização de crianças no funk

 | 18/06/2015 |

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O programa “Ponto de Vista”, da TV Câmara, exibido no dia 02/06/2015, discutiu a erotização de crianças no funk com o presidente da Associação Brasileira para Educação Sexual, César Nunes.

O entrevistado explicou que a sexualidade humana, diferentemente dos animais, está atravessada por uma dimensão ética. Daí a importância de uma educação afetiva para valores da sexualidade, para uma ética sexual.

Salientou, ainda, que, se já houve um tempo em que a sexualidade humana foi negligenciada ou até negada, nos nossos dias há uma verdadeira explosão da sexualidade, com a perda de seus critérios éticos e pedagógicos. Esta cultura hiper sexualizada atinge especialmente as crianças, expostas a uma erotização precoce, que atropela o desenvolvimento natural da sexualidade, com graves consequências psico-sociais.

Neste contexto, foram debatidas as ações do Ministério Público de São Paulo que investiga os casos de erotização de meninos e meninas do funk, que acarretou a proibição de shows em todo o país e a retirada do ar de páginas de redes sociais e vídeos das músicas.

Assista o vídeo a seguir:

Novo Curso IFE Campinas: “INTÉRPRETES DO BRASIL”

 | 11/06/2015 |

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Cartaz_InterpretesBrasil-WEB

Enfim, saiu nosso novo curso de extensão para o segundo semestre: INTÉRPRETES DO BRASIL! Oportunamente divulgaremos quando abrirem as inscrições. Nos próximos dias divulgamos mais detalhes, mas já se pode conferir no cartaz acima, ou abaixo, os principais pontos:

***

CURSO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA “INTÉRPRETES DO BRASIL” – IFE CAMPINAS​

A proposta do curso é familiarizar o público não especializado com as idéias chave de seis pensadores que marcaram época na reflexão sobre a identidade nacional brasileira e que exerceram influência decisiva sobre a modelagem de nossas instituições políticas e educacionais em sua configuração atual.

São eles: José Bonifácio, Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda e Darcy Ribeiro.

AGENDA DO CURSO:

1º/AGOSTO
1. JOSÉ BONIFÁCIO, PATRIARCA DA INDEPENDÊNCIA
Prof. Esp. Rafael Nogueira

22/AGOSTO
2. JOAQUIM NABUCO, ESTADISTA DO IMPÉRIO
Prof. Ms. Bruno Garschagen

12/SETEMBRO
3. GILBERTO FREYRE, PENSADOR DA IDENTIDADE NACIONAL
Prof. Ms. Flávio Alencar

26/SETEMBRO
4. CAIO PRADO JÚNIOR, HISTORIADOR DO BRASIL
Prof. Ms. Fábio Florence

3/OUTUBRO
5. SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA, DEFENSOR DA BRASILIDADE
Prof. Ms. Aldo Fernandes

7/NOVEMBRO
6. DARCY RIBEIRO, O ANTROPÓLOGO DA REPÚBLICA
Prof. Dr. João Malheiro

BENEFÍCIOS DO CURSO:

– Único do mercado
– Professores altamente qualificados
– Material (pasta, folhas etc.)
– Conhecimento válido para a vida
– Coffee break a cada atividade
– Salas com recurso multimídia
– Artigos do IFE no “Correio Popular” no mailing list dos alunos
– Recebimento de certificado ao final

INSCRIÇÕES (porém ainda não estão abertas):
– Enviar e-mail para ifecampinas@ife.org.br solicitando ficha cadastral.
– INVESTIMENTO: 5 parcelas de R$ 129,00 para 6 aulas (R$ 129,90 na Matrícula + 4 de R$ 129,00)

HORÁRIO: Manhãs de sábado. 9h00-10h30 (1ª parte); 10h30 Coffee break; 11h00-12h00 (2ª e última parte)

REALIZAÇÃO:
IFE CAMPINAS
www.ife.org.br

PARCERIA:
UNISAL
www.unisal.br

LOCAL:
UNISAL
Unidade Liceu Salesiano, R. Baronesa Geraldo de Resende, 330
Jd. Guanabara, Campinas/SP – CEP 13075-270

Para visualizar o cartaz do curso em PDF acesse este link: http://ifecampinas.org.br/wp-content/uploads/2015/06/Cartaz_InterpretesBrasil-WEB-PDF.pdf
Para visualizar o cartaz do curso em JPEG acesse este link: http://ifecampinas.org.br/wp-content/uploads/2015/06/Cartaz_InterpretesBrasil-WEB-high_02.jpg

Agradecemos sua atenção.
Cordialmente,

Equipe IFE Campinas.

1º Ano de Site IFE Campinas no ar – Obrigado, leitor!

 | 14/05/2015 |

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1-Ano-Site-IFE-CPS-b

Neste mês de maio o site do IFE Campinas comemora seu primeiro aniversário. Gostaríamos de agradecer a todos os nossos leitores, que vêm nos acompanhando e apoiando nosso trabalho. Durante este tempo temos recebido depoimentos de muitas pessoas que encontraram no site uma fonte de estudo e formação pessoal. É uma alegria ver os frutos que pouco a pouco começamos a colher no cumprimento da nossa missão de fomentar o debate de ideias em um ambiente de respeito, liberdade e responsabilidade intelectuais. A seguir, reproduzimos alguns desses depoimentos.
— Nosso muito obrigado!  

 

“Neste primeiro ano de existência o site do IFE Campinas nos presenteou com artigos de excepcional qualidade. Acompanhar as publicações tem significado para mim a possibilidade de aprofundar, no dia a dia, reflexões diversas sobre temas não só da minha área de atuação profissional (jurídicos), mas também culturais, filosóficos, políticos, artísticos e teológicos. Tenho certeza que nos próximos anos o site continuará exercendo as imprescindíveis funções de fomentar o debate e difundir conhecimento.” (Fernando Pinho Chiozzotto)

 

“O site é uma biblioteca virtual com textos de altíssima qualidade, sempre bem embasados, transparecendo toda bagagem de conhecimento dos seus escritores. Alegra-me ver que, em meio de tantos veículos de informação rasos – de muita “frase de efeito” e pouco conteúdo – existem veículos como o site do IFE-Campinas, claros e lógicos na argumentação, promovendo, deste modo, a crítica consciente. Ademais, a separação em áreas de conhecimento facilita o estudo e promove aprofundamento intelectual. Tudo isto, agregado a um viés filosófico e humanístico muito marcante nos textos, me encanta e faz com que o site fique dentro das minhas visitas recentes constantemente. Adoro e recomendo!” (Isabella S. Castro)

 

“Através do IFE, me tem sido oportunizado REAL EDUCAÇÃO. Conheci o IFE em meados de 2014, na oportunidade, o sentimento era de TOTAL DESORIENTAÇÃO. Sentia que me havia sido FURTADA a base fundante para construção do SABER. As leituras e bibliografias propostas pela educação Formal (ensino médio, graduação, especializações e etc..) que possuía, parecia-me vazias, a sensação era de inutilidade. O contato com os vídeos e textos propostos foi preenchendo as lacunas deixadas pela Pseudo Educação Formal, aos poucos fui sendo introduzido nas realidades PERENES e SÓLIDAS da REAL EDUCAÇÃO. É uma Iniciativa que devolve ao homem pela via da educação, o sentimento de pertença a UNIVERSALIDADE, como que uma seta a indicar o TODO e As PARTES, bem como, o todo Nestas Partes e a necessária comunicação DESTAS com ESTE, e DESTE NESTAS. Por meio da REAL EDUCAÇÂO, o homem desenvolve e recupera (meu caso), a aptidão para tornar-se aquilo que É, e consequentemente cumprir seu destino. A minha reintrodução nesta convicção a respeito da UNIVERSALIDADE DO SABER devo em parte ao IFE. Que Deus os conceda firme perseverança. Sou-lhes gratíssimo“. (Pedro Guilherme Cruz Vieira Costa)

 

“Acredito que tudo começou no ano de 2012, quando vivia desanimado por tudo o que estava ao meu redor, tanto na universidade quanto no meio cultural. Não me identificava, ou, como diz a expressão da moda, tudo aquilo “não me representava”. Restando em meu ser apenas um pouco de esperança, busquei sem tréguas encontrar algo diferente de tudo o que até aquele momento tinha vivido. Em um dia como outro qualquer encontrei um texto do filósofo Olavo de Carvalho. Quando o li, vi que existia um mundo para ser explorado. Depois, em um vídeo, vi que o Olavo recomendava os trabalhos de um grupo chamado “Círculo de Estudos Políticos”. Explorando o mesmo, encontrei o site do IFE-Campinas, no qual o ideário e todo material fizeram e fazem com que a chama, já acesa pela busca de uma vida intelectual, ganhasse mais vida. Cheguei ao ponto de querer fazer parte do mundo daquelas pessoas e iniciar um processo de autoeducação e preparação para que um dia o IFE-Alagoas venha a existir para fomentar a alta cultura em nosso estado”. (Victor Elson)

 

“O Instituto de Formação e Educação (IFE) é uma iniciativa de grande relevância nos tempos atuais, da qual podemos nos apoiar e enriquecermos culturalmente, mas, sobretudo como seres pensantes que somos. O IFE realiza um trabalho intelectual sério visando a formação humanista de seus alunos, o que afeta diretamente a cada um em sua esfera privada e pública, uma vez que trata assuntos como ética, direito, política, economia e aspectos da própria natureza humana dentro da Filosofia. É um grande prazer participar das atividades promovidas dentro dessa grande iniciativa. Parabéns, IFE CAMPINAS!” (Juliana C. Pereira)

 

“Parabéns ao IFE Campinas e obrigada por colaborar para que seus leitores tenham conhecimento de qualidade. Com eventos e publicações que falam de arte, filosofia, literatura, teologia, direito, entre outros, o site propicia, de forma criativa, o interesse pela leitura e auxilia na reflexão, contribuindo para um crescimento intelectual e também um desenvolvimento pessoal. Estamos carentes de espaços como esse, que invistam em cultura e estimulem o resgate de valores do ser humano”. (Priscila Jacheta Lauri)

 

“Hoje em dia temos fácil acesso à informação, porém é sempre um desafio achar fontes fidedignas de conhecimento. Vejo o site do IFE Campinas como um grande presente, onde encontro indicação segura de bons filmes, artigos extraordinários que me ajudam a refletir sobre questões polêmicas e conteúdo que enriquece a todos os leitores!” (Cássia Lagrotta Brigagão)

 

“Se me pedissem para apontar o fato que julgo ser o mais preocupante na sociedade atualmente diria que é a crescente suscetibilidade a manipulação. Situação que pode ser explicada pelo desdém perante o aprofundamento da reflexão, que provém de um relativismo diante do diálogo. O IFE Campinas é, a meu ver, uma iniciativa que tem como objetivo resistir a essa tendência cada vez mais forte no mundo de hoje. Para mim, o Curso de Cultura Geral do IFE foi de grande enriquecimento, especialmente por instigar a busca por um maior crescimento intelectual e, através da tutoria, desenvolver meios de incentivar um diálogo honesto no ambiente universitário. Vejo o IFE como uma semente bem regada, que está se tornando uma árvore fértil que renderá frutos capazes de transformar nossa sociedade!” (Beatriz Figueiredo de Rezende)

 

“O que dizer ao IFE? O que dizer ao Instituto cuja preocupação está voltada à formação cultural do ser humano? O que dizer ao IFE que me proporcionou um estudo e, acima de tudo, uma reflexão sobre os temas mais essenciais e filosóficos que afligem ao homem há pelo menos 2.500 anos? O que dizer ao IFE quando sou instigado a refletir sobre dilemas que estão a toda parte, mas sequer percebemos a necessidade de discuti-los? O que dizer ao IFE quando leio seus artigos sobre filosofia, literatura, história, direito ou quem sabe sobre uma resenha crítica de um filme, cujas percepções pessoais, à primeira vista, não tinham ido muito além do senso comum? O que dizer ao IFE por roubar algumas de minhas preciosas manhãs de sábado? Já sei o que dizer ao IFE: Obrigado!” (Marcos José Iorio de Moraes)

 

Educar para a sabedoria

 | 05/05/2015 |

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Ilustração - Educar para sabedoria -G Melo

Em entrevista recente, o artista chinês Ai Weiwei – que está proibido de deixar seu país devido a desentendimentos com o governo – criticava o sistema educacional de sua nação, apesar de os estudantes chineses atingirem resultados excepcionais em rankings internacionais de desempenho acadêmico. Ele admitia que seus compatriotas podem até ser habilidosos, mas “falta-lhes a habilidade de fazer seus próprios julgamentos livres”. E continuava: “É realmente triste ver jovens adultos, de 20, 25 anos, que não aprenderam a tomar suas próprias decisões. As pessoas incapazes disso não adquirem um senso de responsabilidade. E quando não se tem um senso de responsabilidade, empurra-se a culpa para o sistema”.

Ora, caberia perguntar se essas características são privilégio do sistema educacional chinês. Afinal, o ranking que coloca a China na dianteira foi elaborado pela OCDE, organização eminentemente ocidental. Portanto, se Weiwei discorda dos critérios – a saber: habilidades em aritmética, ciências naturais e leitura – que exaltam o desempenho dos estudantes de seu país, mais do que criticar a China, ele está indiretamente problematizando o tipo de avaliação que o ocidente tem adotado para valorizar determinados sistemas educacionais em detrimento de outros.

Ou seja, se nossos rankings colocam no topo da lista estudantes que são incapazes de tomar decisões e que não possuem um senso de responsabilidade apurado, não seria o caso de questionarmos esses critérios de avaliação? Pois esses números resultam em relatórios, que fomentam o processo de elaboração de políticas públicas, que, por sua vez, moldam a “fisionomia educacional” dos países, incentivando a formação de estudantes com determinado perfil.

Sendo assim, que tipo de estudante desejamos? Ou, o que esperamos dos jovens que passaram pelo sistema educacional: simplesmente, que saibam ler, fazer contas e que possuam noções básicas de ciências naturais? Não seria necessário pensarmos numa educação que também contribuísse para que as pessoas desenvolvessem sua capacidade de decidir e o seu senso de responsabilidade?

T.S. Eliot já se perguntava na primeira metade do século passado: “Onde está a sabedoria que nós perdemos no conhecimento? Onde está o conhecimento que nós perdemos na informação?”. Se formamos pouco para o conhecimento, menos ainda para a sabedoria. Aliás, temos utilizado a palavra “sabedoria” muitas vezes com um viés esotérico e, por incrível que pareça, oriental – o que soa surpreendentemente contraditório, se pensarmos na fala de Weiwei.

Talvez isso aconteça porque temos lido muito Piaget e Vygotsky, mas esquecemos de Platão e Aristóteles: por isso, nossos sistemas de ensino e de avaliação descartam a formação para as virtudes da prudência e da justiça, que capacitam – no sentido moral, não no “mercadológico”! – o ser humano a decidir e a ter senso de responsabilidade.

Há alguns dias, lendo J. D. Salinger, deparei-me com um trecho em que se refletia sobre a universidade. Franny, uma das protagonistas do livro, reclamava que não estaria tão decepcionada com a vida acadêmica, se pelo menos uma vez houvesse ouvido a sugestão, mesmo superficial, de que “o conhecimento deve conduzir fatalmente à sabedoria e que, se não o fizer, é uma repugnante perda de tempo!”

Tendo cursado Ciências Sociais, tenho que concordar com Franny. Em meus anos de universidade, pouco – para não dizer nada! – ouvi sobre “sabedoria”. E, onde encontrei? Justamente na leitura de alguns clássicos da filosofia e da literatura: leitura que não tinha como objetivo a “compreensão interna” do texto, mas sim aprender algo que valesse a pena para a vida.

Portanto, nossas metas educacionais, longe de visarem resultados que nos aproximem dos estudantes chineses, poderiam se pautar por outros critérios. Um caminho interessante seria valorizar leituras e conteúdos que procuram formar pessoas com sabedoria para decidir por conta própria e que, por isso, não “jogarão” a responsabilidade de suas ações para o sistema.

Guilherme Melo de Freitas é professor, mestre em sociologia pela USP e Gestor do Núcleo de Sociologia do IFE Campinas (gmelo.freitas@gmail.com).

Artigo originalmente publicado no jornal Correio Popular, 30 de Janeiro de 2014, Página A2 – Opinião.

Ilustração: Reprodução de ilustração que acompanha este artigo publicado no jornal Correio Popular, 30 de Janeiro de 2014, Página A2 – Opinião.

Professor por opção (por Fabio Florence¹ e Guilherme Melo de Freitas²)

 | 31/03/2015 |

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800px-Math_lecture_at_TKK_LOUSA-byTungstenJá dizia a piada: “Qual a diferença entre um professor e um palhaço?” A resposta é taxativa: “É que o palhaço não corrige provas!”.

Além dessas tiradas de humor – que, diga-se de passagem, são bastante engraçadas! -, o sujeito que se vê na situação de professor, cedo ou tarde, irá se deparar com a clássica pergunta: “Você trabalha ou só dá aulas?”.

Por essas e outras, fica patente que a profissão de professor não é valorizada atualmente.

Nesse sentido, não surpreende que grande parte dos docentes não exerça seu ofício devido uma escolha, mas sim porque as circunstâncias da vida o conduziram – a despeito dele – a tal profissão: “na falta de coisa melhor”, começa-se dando umas aulas para completar a renda; o tempo é preenchido, aparecem mais aulas, e, após alguns anos, já não é mais possível se inserir em outra área. Ou, tendo se aposentado, passado por uma frustração profissional, a pessoa enxerga como única alternativa dar algumas aulas, “para não ficar parada”, enfim, para “ganhar um dinheirinho”…

Diante desse panorama, é difícil encontrar sujeitos que tenham optado voluntariamente pela carreira de docente. Mesmo assim, apesar dos pesares, ainda existem jovens que, tendo o futuro pela frente, e diferentes possibilidades em vista, decidem – em sã consciência! – trilhar sua trajetória profissional na sala de aula.

A pergunta que surge é: por que fazem isso?

Certamente, a motivação não é financeira: afinal, no nosso país, quem decide ser professor – salvo as exceções que confirmam a regra – tem clareza sobre as dificuldades econômicas que terá que enfrentar.

Também não é uma motivação relacionada ao prestígio. O “orgulho de ser docente” não anda em moda na atualidade – isto é, não há “admiração social” pela profissão, como existia há algumas décadas atrás, o que fornecia um considerável status àqueles que se dedicavam ao ensino.

Descrevendo esse cenário, lembramos uma dessas “dinâmicas de planejamento do ano escolar”, quando o coordenador pediu que os professores pensassem em uma música que pudesse ilustrar bem o momento em que alguém decide seguir a profissão de docente. Um dos presentes não titubeou e soltou imediatamente um antigo sucesso de Raulzito: “Eu vou ficar… Ficar, com certeza, maluco beleza!”

Afinal, cabe perguntar: jovens que decidem voluntariamente ser professores não seriam uns “loucos”, “pessoas esquisitas”, “perdidas na vida”?

E aqui respondemos: definitivamente, não! É possível sim optar razoavelmente pela docência. E, na maioria das vezes, a motivação para essa escolha está ligada a dois tipos de experiências vitais.

A primeira é a de quem já teve a oportunidade de ensinar. Um exemplo é um universitário que cursava química e desistiu de trabalhar em empresas, depois de dar uma aula e ouvir de um aluno a “frase mágica”: “Ah, agora entendi!”. Essa alegria que brota da experiência de ensinar outra pessoa é um primeiro fator de motivação para a opção pela docência.

A outra experiência vital está relacionada ao fato de se ter aprendido algo valioso. Só deseja realmente ensinar quem aprendeu algo que vale a pena ser transmitido. E, nesse aspecto, temos muita carência: afinal, infelizmente, não são comuns os professores que gostam de estudar, e que demonstram um sincero fascínio por aquilo que ensinam. Talvez, se houvesse mais esses “apaixonados”, também haveria muitos outros jovens que se inspirariam com a profissão de docente.

Como diria de modo lapidar o pensador Étienne Gilson: “A educação é uma conseqüência derivada da busca desinteressada de tudo aquilo que deveria ser desejado e amado por si mesmo. Se um ser humano busca a beleza para ‘adquirir educação’, perderá tanto a beleza como a educação, mas se busca contemplar a beleza por si mesma, alcançará tanto a beleza como a educação. Buscai primeiro a verdade e a beleza, e a educação lhe será dada por acréscimo”.

Fabio Florence¹ e Guilherme Melo de Freitas²

¹ (florenceunicamp@gmail.com), 29 anos, mestre pela Unicamp, professor de filosofia do Colégio Etapa.

² (gmelo.freitas@gmail.com), 27 anos, mestre pela USP, professor de sociologia da Escola Estadual Prof. João Lourenço Rodrigues.

Artigo originalmente publicado no jornal Correio Popular, 18/04/2014, Página A2 – Opinião.

Imagem: Lousa quádrupla na Helsinki University of Technology, 2005. Foto em domínio público disponível neste link.